SOLTE SEU CÓDIGO NA IMENSIDÃO DO UNIVERSO

(*) José Joacir dos Santos

Sempre que você viaja de avião os atendentes fazem demonstração de como o passageiro deve agir em caso de emergência. A primeira coisa a se falar é das máscaras de oxigênio porque quando um avião está em situação de despressurização as máscaras de oxigênio caem automaticamente sobre os passageiros e muitas vezes ajudam a salvar vidas. Os atendentes dizem que primeiro você deve colocar a máscara em você mesmo para depois colocar a de qualquer criança que esteja com você ou ao lado. Essa recomendação poderia parecer egoísta se não fosse o fato de que o objetivo é que você não morra e ajude a salvar outras pessoas. Você morrendo primeiro vai atrapalhar o salvamento de outras pessoas. O oxigênio ajuda também a qualquer pessoa a pensar com clareza e saber agir com precisão. Este exemplo chama a atenção para a necessidade de mantermos a consciência ativa, a mente saudável e em estado permanente de equilíbrio.

O escritor budista Karma Chagné diz em seu novo livro, ainda não traduzido para o Português, “Practical Instructions on the Union of Mahamudra and Atiyoga”, editado pela Snow Lion Publications, que “se você falhar em dominar a sua mente (pensar com clareza para agir com precisão), embora tenha ao seu redor mil espíritos de Budas, eles não poderão ajudar a você em nada”. Se você deseja dominar a energia dos seus inimigos você deve primeiro aprender a dominar a sua própria. Se você deseja favorecer a paz no mundo então precisa primeiro dominar a sua mente. Ser Lama é ser capaz de dominar completamente a mente. O domínio da mente é a Terra Prometida. Quando alguém atinge esse estágio já está praticando a natureza de Buda. Esse é um caminho natural. Quais são os benefícios atuais que você já desfruta por controlar a sua própria mente? O livro dá “instruções práticas sobre a união entre o chácra básico e o estado mental de controle absoluto de si mesmo”.Este assunto veio de encontro às minhas observações com clientes, amigos e alunos. É muito comum na primeira aula de um curso o instrutor pedir que cada aluno se apresente e conte um pouco de si mesmo. Alguns demoram na lista de cursos já feitos, mas você olha para eles e sua mente vira interrogações. O comportamento não condiz com o suposto resultado da lista de cursos e terapias.

Muito acima do peso, com sapatos de saltos bem altos, jóias exageradas, ansiosa, a minha cliente mal se sentou e passou a listar os cursos e terapias a que já havia se submetido, enfatizando que estava ali para ver o que eu “poderia fazer” porque “eu preciso ser nutrida”. Yoga, Reiki, Xamanismo e escolas diversas da psique por mais de 20 anos foram mencionadas com a naturalidade de quem compra sapatos para usar o nome das marcas entre um copo e outro das reuniões sociais – todas com fortes julgamentos negativos. Em cinco minutos de conversa, olhando para meus certificados na parede, ela dispara: se for pela quantidade de certificados você deve ser preparado, “porque se não for, se não houver química, se eu não gostar, não volto nunca mais”. Na minha primeira pergunta ela responde agressivamente dizendo que “já fiz mais de dez anos de terapia com o melhor especialista”, “você está sendo antiético em me perguntar isso”, “não acredito na psicanálise”. Falei de resistência e ela disse, rispidamente: “você é quem deve mostrar que é capaz de quebrar minha resistência”. A cada momento citava nomes de profissionais famosos por quem passou, mencionando os tipos de conduta que não aprovava e em 15 minutos eu já estava disposto a encerrar a sessão. Estava ali, na minha frente, uma exibição de poder. Não havia uma queixa e nem a vontade de se submeter a uma terapia.

Da melhor maneira possível, acalmei a minha candidata a cliente para que saísse do consultório de forma civilizada, já que não houve empatia. Nada cobrei. Para uma profissional da área, com mestrado, é estranho pensar qual a razão daquele comportamento desrespeitoso. Já recebi “espiões”, colegas e até uma profissional médica que veio ao consultório na condição de cliente, mas que claramente havia objetivo de medir conhecimento. Não são os certificados que fazem o profissional, quem não sabe disso? De nada adianta certificados em Reiki, Yoga e outras terapias, energéticas ou não, se a pessoa não entrar de cabeça na proposta básica dessas terapias e essa quase cliente disse ter essas qualificações. Será que o que disse sobre as terapias e qualificações era verdadeiro? Se pegarmos só Reiki como exemplo, começam os contrastes. Reiki muda a vida de quem é iniciado e aquele comportamento não era de quem havia mudado. A energia colorida faz o seu trabalho a favor da luz e havia naquela criatura o quê de sombra. Sem a prática do amor incondicional canalizado através do Reiki diário o processo pode estagnar. O universo passa a não receber resposta a seus códigos. É como ferramenta cirúrgica nas mãos de um médico que comprou provas na época da faculdade.

Em outra ocasião, fui atacado por e-mail, telefone e até com tentativa de difamação na internete por uma mestra Reiki paulista porque, entre outras coisas, ela não admitia que eu, homem, liderasse um grupo que por ventura fazíamos parte. Dá para compreender isso? Cabe aqui o velho jargão: Freud explica! Só é possível compreender com um olhar psicanalítico. Os certificados na parece são peças de decoração que devemos respeitar pelo que representam, nada mais. No caso do Reiki e das demais terapias energéticas, onde a proposta é a elevação vibracional a nível psicossomático, só a prática valida e essa validação passa necessariamente pelo polimento do ego, do comportamento de um modo geral – o trabalho com a sombra individual, cujo pré-requisito é a burilar a mente, a memória emocional. Certificados não mudam, por si, de lugar na parede.

Sem a busca individual do controle da mente não se chega a lugar algum. Controlar a mente é uma das maiores dificuldades humanas. Isso requer disciplina e treinamento. Não adianta você se submeter a profissionais competentes, de renome, se não mergulhar no trabalho deles para encontrar consigo mesmo. Lembro aqui do filme “Inteligência Artificial”, de Spielberg. Cada um escolhe ser salvo ou não por si mesmo e aí as terapias ajudam e muito. É preciso se permitir mergulhar no fundo da própria alma. Serve para alguma coisa vestir a camisa do Flamengo de seu irmão se você torce por outro time? Que tal alugar uma roupa para uma festa de Natal, que é uma festa de renovação de esperanças? E o papai-noel bêbado? Vale alguma coisa medir forças, provocar, espionar, e tentar qualquer outra coisa contra um colega ou um profissional de qualquer área? No momento em que aquela quase-cliente saiu do meu consultório o telefone tocou e do outro lado uma pessoa me pedia uma consulta emergencial. Preparei um delicioso chá, abri bem as janelas e me preparei para o próximo cliente na certeza de que cada um tem um processo. Ao fechar a porta, todas as imagens, palavras, gestos e ações com relação àquele indelicado encontro se foram para sempre. Demorei muito tempo nesse treinamento e busquei ajuda para chegar aonde cheguei. Mesmo os mais capacitados terapeutas precisam se trabalhar todos os dias, a nível mental. Veja como experimentei a beleza da mente:

Numa das experiências na formação em Terapia Iniciática com o Doutor e Xamã Rowland Barkley, entrei em estado alterado de consciência e mergulhei no trabalho de condução dele para me levar a outras dimensões de mim mesmo. De início ouvia suas instruções, em inglês, dizendo para mergulhar. Em minutos passei a ouvi-lo em outra língua, aborígine, que nem lembrei de perguntar se fala. Formou-se um turbilhão energético helicoidal ao meu redor. Não eram espíritos, mas sim meu próprio ser. As vozes da sala foram ficando distantes. Senti o rompimento das sete camadas energéticas sutis (sete corpos) e a fragmentação em uma só essência. Para melhor explicar, era como se meus braços tivessem virado asas e meus pés não estivessem mais no chão, perderam o formato original. Acho que posso dizer que parecia um pássaro de asas e calda abertas. Faltam palavras para descrever por completo cada sensação, mas foi naquele momento que compreendi que os cinco elementos prendem nosso corpo ao conjunto de carne, músculo e ossos e aquele instante era muito semelhante com o da morte, da soltura do espírito.

Ouvi de longe alguém dizer: preste atenção ao seu DNA, Joacir! Neste momento toda a minha energia converteu-se em luz como se as celular explodissem para se tornar uma só. Assemelha-se a uma revoada de pássaro ao contrário. Senti que estava no controle, como se fosse um piloto da minha mente como jamais havia sentido e aí a noção de corpo físico foi perdida. Na junção de todas as células numa só percebi que era apenas um grão, uma memória, um grão de areia ou de mostarda. Deparei-me com um código de mim mesmo, como uma senha, como uma chave de um cofre sagrado. Diante desse cofre a senha era sonora, de pura luz. “Liberte o código”, ouvi meu próprio ser falar alto. Mergulhei na senha e tornei-me som, nítido, um som antigo, conhecido, maravilhoso, cor de rosa-carmim. Soltei para a imensidão do espaço aquele meu código sonoro e em um milésimo de segundo senti-me UNO com o universo. A sensação é indescritível, alegre, feliz. Era como se você estivesse diante de um imenso lago, tocando na água e os peixes do fundo ouvissem com precisão o som dos meus dedos suaves tocando a água.

Quando “acordei” estava no chão na sala, sob o silêncio dos participantes. Dizem que soltei um som, rodei de braços abertos até cair no chão. Demorei cerca de dois dias para sentir meu corpo físico completo, inteiro, e de lá para cá a minha compreensão sobre todas as coisas do universo se expandiu, de forma que vou e volto de onde e para onde desejo. Uso a minha vontade absoluta. Meu raciocínio ficou mais rápido e sinto que liberei para sempre padrões meus e dos que vieram antes de mim. Tenho o controle da minha mente e ela é tudo o que me interessa nesta e nas muitas vidas que possivelmente virão. É para ela que direciono todo meu investimento. Nunca vi mostarda em grãos, mas acredito que agora compreendo o que Jesus queria dizer quando mencionou grãos de mostarda e buracos de agulhas. (*) José Joacir dos Santos é Psicoterapeuta e, entre outras, graduando em Terapia Iniciática. www.joacir.jor.br